Dizer o que se sente, sem o manto protetor das metáforas, exige uma coragem que poucos artistas demonstram logo no início da carreira. Em seu novo single, “Clara“, a cantora e compositora Breezia decide abrir mão dos rodeios poéticos para transformar suas composições em um verdadeiro diário aberto. Faixa que serve como um elo para o seu aguardado álbum de estreia, a música mergulha na crueza de uma ausência específica e dolorosa: o fim de uma amizade, um tema que frequentemente sobrevive às margens dos grandes desabafos pop.
Nesta entrevista exclusiva, a artista revela os bastidores de um processo criativo que ela define como agridoce. Entre a necessidade urgente de encarar a realidade de frente e o peso de revisitar memórias tão íntimas, que envolvem desde rotinas familiares até a constatação de que o outro seguiu em frente, Breezia detalha como transformou a vulnerabilidade em força motriz dentro do estúdio, guiada pela produção imersiva e quase onírica de Lucas Marmitt.
Abaixo, você confere um papo sincero sobre o rompimento de silêncios necessários, a dinâmica intuitiva que deu o tom sonoro ao projeto e os primeiros vislumbres do universo conceitual que a artista está prestes a desvendar por completo. Confira:
“Clara” é descrita como uma faixa que encara a realidade sem filtros ou metáforas abstratas. Como foi para você, como compositora, desapegar das metáforas e adotar uma escrita tão literal e nua?
Eu precisava muito conseguir falar diretamente com a personagem, então foi quase inconsciente. Quando escrevi a música, encarei aquele momento como um diário, um desabafo que eu faria em voz alta se ninguém estivesse ouvindo.
A letra fala sobre a dor de perder um amigo e ver essa pessoa seguir em frente. Escrever sobre o fim de uma amizade costuma ser um tabu comparado a fins de relacionamentos amorosos; por que era importante para você romper o silêncio sobre esse tipo específico de ausência?
Justamente porque falar sobre isso exige um “rompimento de silêncio”. É como se todos nós nos configurássemos a nunca falar sobre isso, nunca nos permitimos sentir essa ausência que é tão latente mas tão pouco vista. A perda de um amigo é mais intragável porque as amizades são muito mais puras, exigem muito menos coisa, você só precisa estar ali e ser você. Quando seu amigo parte, é como se ele reforçasse que você já não é mais o suficiente pra ele.
O processo de escrita de “Clara” é descrito como “agridoce”. Qual foi o sentimento mais difícil que veio à tona enquanto você transformava essa memória em versos?
Falar sobre coisas pessoais como o namorado e a mãe dela me fizeram compreender o quão próxima a gente foi um dia, o quão bem eu conhecia ela. Isso me pegou desprevenido, a ficha caiu e eu senti bastante o peso dela.
A produção de Lucas Marmitt traz uma atmosfera imersiva que remete a um mergulho profundo dentro de um sonho. Como foi o trabalho de estúdio com ele para traduzir a “crueza” da letra em uma sonoridade que parece um sonho?
Por incrível que pareça, foi bem natural. Nossa dinâmica no estúdio é muito intuitiva, escolhemos o que soa legal, sem nos importarmos muito em como tudo vai se encaixar, nunca sentimos medo de criar nada. O processo todo do álbum foi nessa pegada, tudo se encaixava antes mesmo de quebrarmos a cabeça sobre isso.
E como está o planejamento para os próximos passos? O que vem por aí?
Ainda é segredo! Mas pretendemos lançar mais coisas antes do lançamento do álbum, então vai ser uma jornada super bonita. Animada pra receber vocês em meu planeta!
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