Nation POP

Maria do Caritó estréia dia 31

poster
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram

Algumas comédias brasileiras, especialmente quando envolvem a Globo Filmes, têm uma fórmula de sucesso, que é usada quase sempre.

Precisa de pelo menos um ator “global” , e aqui temos alguns, com o destaque para a protagonista Lilia Cabral.

Precisa de um tema leve, de situações que não sejam exageradas ou muito “fortes” para a tradicional família brasileira (essa hipócrita, que adora fazer tudo escondido).

Então abusa da graça que se baseia em palavras que não existem, expressões ingênuas nos rostos, e, neste caso, muito circo.

O filme , e sua personagem principal, é simpático. Queremos que tudo dê certo para ela.

Seu sonho é achar um marido, se apaixonar, fazer sexo, ou é o sonho que alguém sonhou por ela. E por tantas mulheres, em tantos lugares do mundo.

Acaba se “apaixonando” pelo primeiro homem que pode lhe tirar de sua HORROROSA situação de solteirona, o malabarista do circo de passagem pelo local.

Maria é uma ingênua mulher crescida , à beira da menopausa, que foi prometida em casamento a um santo, no dia de seu nascimento, pelo seu pai.

Por precisar se manter virgem para cumprir a promessa, acaba sendo considerada pelos moradores como uma santa, que opera milagres.

Daí que todos os outros homens da cidadezinha resolvem que podem mandar e desmandar em seu destino e em seus atos. É o padre, é o coronel/prefeito, e toda a leva de machões que os acompanha .

O filme nos faz perceber como ela vive angustiada sendo manipulada desse jeito, mas ela fica fugindo de cada opressão sem se indignar.

Como milhões de mulheres espalhadas por esse mundo.

Eu, como feminista, tenho imensa dificuldade em conseguir assistir esse tipo de relato.

Como não consigo ficar quieta quando ouço e vejo ao meu redor mulheres sofrendo porque apanham de seus pares, porque “precisam aceitar” traições, ou outras coisinhas que fazem parte de nosso dia a dia.

Mas como não deixa de ser real, independentemente de nossa vontade, a história de uma mulher que não serve para nada porque ficou velha ou não tem marido, precisa nos fazer rir.

Eu ri. Mesmo que seja absurdo.

Não é o tipo de humor que eu aprecio, mas todo o jogo que descrevi antes funciona bem (os rostos ingênuos, a alegria espontânea, as encenações no picadeiro). A fórmula é usada à exaustão, repito, porque funciona bem.

Parece que estamos vendo um filme do estilo Mazzaroppi, ou de Charles Chaplin, ou um episódio de O Gordo e o Magro. Ou um Fellini com o rosto angelical da Giulietta. Não têm todos algo em comum, essa inocência, esse olhar infantil ? É disso que falo.

Que alguma mulher oprimida tome como lição o que a nossa Maria acaba por realizar nesse filme, e ele já terá valido a pena de ser feito.

E assistido.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no email
Email
Conteúdos Relacionados: