A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl não foi apenas um show de música urbana; foi uma aula de geografia e política transmitida para mais de 100 milhões de telespectadores. Segundo análise do jornal El País, o astro porto-riquenho usou o palco mais cobiçado dos Estados Unidos para redefinir o conceito de “América”.
Para grande parte do mundo, e especialmente para os estadunidenses, “América” é sinônimo de Estados Unidos. No entanto, Bad Bunny fez questão de lembrar que a América é um vasto continente que vai do Alasca à Terra do Fogo, e que sua cultura é vibrante, diversa e, acima de tudo, fala espanhol.
O espanhol como língua franca
Uma das maiores vitórias culturais da noite foi a recusa do artista em “anglicizar” sua performance. Em um evento historicamente dominado pela cultura pop anglófona, Bad Bunny cantou, falou e celebrou em espanhol.
Essa escolha não é estética, é política. Ao não traduzir seus sucessos para o inglês para agradar a audiência local, ele validou a identidade de milhões de latinos que vivem nos EUA. O show provou que a música latina não precisa mais pedir licença ou se adaptar para ser consumida em massa; ela já é o mainstream.
Uma defesa da identidade latina
O artigo do El País destaca que a performance foi uma “defesa da América” em seu sentido mais amplo. Bad Bunny representou não apenas Porto Rico, mas toda a latinidad.
Ao trazer ritmos que misturam o caribe, o urbano e o folclórico, ele desenhou um mapa sonoro que uniu mexicanos, colombianos, argentinos e brasileiros. Foi um lembrete poderoso de que a cultura “americana” é mestiça e plural.
O fim das fronteiras culturais
Se antes os artistas latinos precisavam do “crossover” (lançar músicas em inglês) para triunfar no Super Bowl, Bad Bunny encerrou essa era. Sua apresentação demonstrou que a autenticidade é a moeda mais valiosa da atualidade.
Ele transformou o estádio em uma festa de bairro latina, forçando o público global a entrar no seu ritmo, e não o contrário. Com isso, “Benito” não apenas conquistou a NFL, mas reafirmou que o continente americano bate em um ritmo diferente.
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