A gigante da música BMG (propriedade do grupo Bertelsmann) protocolou nesta terça-feira (17) um processo explosivo contra a Anthropic, startup de Inteligência Artificial responsável pelo chatbot Claude. Na ação de 47 páginas apresentada em um tribunal federal da Califórnia, a BMG afirma que a avaliação de mercado da Anthropic — estimada em impressionantes US$ 380 bilhões após uma rodada de investimentos em fevereiro de 2026 — foi construída através do uso sistemático e ilegal de letras de músicas protegidas por direitos autorais.
A acusação é direta: a Anthropic teria “atropelado” os direitos de compositores e artistas para treinar seus modelos de linguagem, sem nunca ter pago um centavo em licenciamento ou buscado autorização prévia.
Pirataria e ‘Shadow Libraries’: O lado sombrio do treinamento da IA
Um dos pontos mais graves do processo detalhado pela Music Business Worldwide é a origem dos dados usados pela Anthropic. A BMG alega que a empresa utilizou “shadow libraries” (bibliotecas piratas e sites de torrent) para extrair letras de músicas e partituras. Entre os arquivos pirateados estariam obras de ícones como The Rolling Stones, Bruno Mars, Ariana Grande, Justin Bieber e Louis Armstrong.
O processo cita 493 composições específicas que foram infringidas, incluindo hits globais como:
- “Uptown Funk” (Bruno Mars)
- “You Can’t Always Get What You Want” (The Rolling Stones)
- “What a Wonderful World” (Louis Armstrong)
- “Kryptonite” (3 Doors Down)
A BMG sustenta que o chatbot Claude não apenas foi treinado com esses dados, mas é capaz de reproduzir letras inteiras ou trechos substanciais quando solicitado, funcionando como um substituto direto de serviços licenciados de letras, o que fere diretamente a receita dos compositores.
Avaliação recorde e a ‘limpeza’ de dados autorais
O processo da BMG ganha contornos dramáticos ao mencionar as finanças da Anthropic. Em fevereiro de 2026, a startup anunciou uma rodada Série G de US$ 30 bilhões, elevando seu valor de mercado para quase US$ 400 bilhões. Para a BMG, esse crescimento astronômico é “fruto de um crime”, já que a empresa teria usado ferramentas de extração para remover metadados de direitos autorais das obras antes de alimentá-las na IA, tratando as informações de gestão de direitos como “lixo inútil”.
A editora revela que enviou uma notificação de “cease and desist” (interrupção de atividade) para a Anthropic em dezembro de 2025, mas a empresa de tecnologia sequer respondeu ao contato, o que, para a BMG, demonstra uma conduta de má-fé e desrespeito deliberado às leis de propriedade intelectual.
O futuro da IA musical e as indenizações bilionárias
A BMG está buscando danos estatutários que podem chegar a US$ 150.000 por obra infringida. Considerando as centenas de músicas listadas inicialmente e o potencial de expansão da ação para milhares de outras faixas, o prejuízo financeiro para a Anthropic pode ser devastador.
Este caso se soma a outros processos em andamento, como o da Universal Music Group (UMG), que também luta para que as empresas de IA paguem pelo “combustível” que alimenta seus robôs. Para o mercado, o veredito deste processo definirá se a Inteligência Artificial continuará operando em uma zona cinzenta ou se as empresas de tecnologia serão finalmente forçadas a sentar à mesa de negociações com os donos dos direitos autorais.
A Anthropic, que se posiciona como uma empresa focada em “IA ética e segura”, agora terá que provar na justiça que sua tecnologia não é apenas um sofisticado motor de pirataria em escala industrial.
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