Faixa icônica atravessa quase cinco décadas, explode nas redes sociais e volta às pistas com quatro versões que unem memória, carnaval e pista eletrônica
Poucas músicas brasileiras conseguem atravessar gerações, sobreviver a mudanças radicais de comportamento, tecnologia e linguagem musical — e ainda voltar com força total. Esse é exatamente o caso de “Freak Le Boom Boom”, clássico lançado por Gretchen em 1979, que acaba de se consolidar como um dos grandes hits do verão 2026, após ressurgir de forma avassaladora no TikTok e nas pistas de dança do Brasil e do exterior.
A redescoberta da faixa ganhou um novo e importante capítulo com o lançamento do EP “Freak Le Boom Boom [Remixes]”, pela Universal Music Brasil, reunindo quatro versões da canção: a gravação original, dois remixes assinados pelo produtor Mister Sam — criador da música — e uma releitura inédita produzida por Gab Miranda, filho de Gretchen e produtor radicado na Europa.
O projeto não apenas revisita um clássico: ele reafirma Gretchen como um ícone pop atemporal, capaz de dialogar com diferentes épocas sem perder sua identidade.
Um hit à frente do seu tempo
Lançada no final dos anos 1970, período em que Gretchen começava a se projetar nacionalmente, “Freak Le Boom Boom” já nascia diferente de tudo que tocava no rádio brasileiro. Cantada majoritariamente em inglês, com intervenções em francês e espanhol, a música misturava referências latinas, groove de pista e uma estética propositalmente exagerada e performática.
A estrutura simples e circular — que remete a clássicos como “La Bamba” ou aos rocks primitivos de Elvis Presley — se combinava a palmas orgânicas, metais com sabor mariachi e um canto carregado de sensualidade e teatralidade. Tudo isso gravado ao vivo, sem recursos digitais, em poucos canais, numa época em que computadores ainda não faziam parte dos estúdios.
Era, como se diria hoje, puro suco de Brasil — ou um tropicalismo popular, direto no corpo e na dança.
TikTok, nostalgia e novas gerações
Quase 50 anos depois, a música voltou ao centro da cultura pop de forma inesperada. Vídeos antigos de Gretchen em programas históricos da TV brasileira — como atrações comandadas por Xuxa e Gugu Liberato — começaram a circular nas redes sociais, impulsionados por coreografias no TikTok e desafios de dança.
A combinação entre nostalgia, estética retrô e a energia contagiante da faixa fez com que “Freak Le Boom Boom” conquistasse novas gerações, que passaram a consumir a música como trilha sonora de festas, blocos de carnaval e pistas alternativas.
O fenômeno não passou despercebido pela indústria musical — e foi o ponto de partida para a criação do EP.
Mister Sam explica o segredo da longevidade
Autor e produtor da canção, Mister Sam relembra que a ideia original nasceu a partir de uma vivência internacional. Após uma temporada em Nova Iorque, ele se inspirou no mercado latino e na lógica das pistas de dança, marcadas por gritos, palmas e respostas coletivas.
“Freak tem o sentido de agite. E boom boom não era bunda, era bum de impacto, de sucesso”, explica. “A ideia sempre foi botar pra frente, agitar”.
Segundo ele, a permanência da música desafia explicações fáceis:
“É difícil explicar uma música durar 46 anos. A única explicação é que ela deve ser muito boa para continuar funcionando”.
No EP, Mister Sam assina dois remixes, que não reinventam a faixa, mas atualizam seu impacto sonoro. O destaque fica para a “Original 12’’ Long Version 1979”, com andamento mais rápido e uma abertura hipnótica baseada apenas em palmas, criando uma atmosfera frenética e dançante.
Gab Miranda leva o clássico para o carnaval e a música eletrônica
A releitura mais ousada do EP fica por conta de Gab Miranda, filho de Gretchen, cantor e produtor que vive atualmente na França. Produzido do zero, o remix mistura percussões de escola de samba, música eletrônica e referências da latinidade pop contemporânea.
“Eu quis misturar a energia do carnaval brasileiro com a música eletrônica que eu vivo hoje na Europa”, explica Gab. “Sem perder a origem da música”.
Influenciado pela cena da french house e pelas pistas europeias, ele buscou um equilíbrio entre modernidade e respeito ao DNA original da canção. Gretchen acompanhou todo o processo de perto, garantindo que a essência permanecesse intacta.
Liberdade, corpo e festa como linguagem
Para Gab, “Freak Le Boom Boom” sempre representou mais do que uma música dançante.
“Ela chegou como um gesto de liberdade feminina, num Brasil conservador que ainda vivia a ditadura”, afirma.
A coreografia icônica, que voltou a viralizar nas redes sociais, também é apontada como peça-chave do sucesso atual.
“As pessoas estão redescobrindo como as coisas de antigamente eram mais naturais, mais divertidas. E estão abraçando isso”.
O hit definitivo do verão 2026
Reunindo passado, presente e futuro, o EP “Freak Le Boom Boom [Remixes]” prova por que a música voltou a soar tão atual. Não é apenas nostalgia: é eficácia musical, comunicação direta com o corpo e uma celebração da alegria como linguagem universal.
Entre rebolados, palmas, gemidos e groove, Gretchen reafirma seu lugar como ícone pop absoluto, enquanto “Freak Le Boom Boom” ganha mais um capítulo histórico — agora como um dos grandes hinos do verão 2026.
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