Em meio a um divórcio mal resolvido, um casal transforma mágoas em piadas e faz do stand-up palco para expor — e provocar — suas próprias feridas.

Uma comédia que dói mais do que diverte
O novo longa-metragem dirigido por Bradley Cooper chega com ambição evidente — e, curiosamente, funciona melhor quando não tenta parecer maior do que é.
Cooper constrói Alex (Will Arnett) como um protagonista emocionalmente imaturo, perdido após o fim do casamento com Tess (Laura Dern) e incapaz de compreender a própria ruptura.
Nos projetos anteriores, Cooper apostava em personagens movidos por uma necessidade quase desesperada de serem lembrados.
Desta vez, ao dirigir uma comédia, distancia-se da imagem construída em “Nasce uma Estrela” e transforma o que poderia ser apenas mais um filme leve em um retrato melancólico e emocionalmente reconhecível.
Conforme avança, o filme deixa claro que a comédia é apenas a porta de entrada. Cooper usa o humor para provocar uma pergunta incômoda: afinal, o que ainda sustenta um casamento quando o amor já mudou de forma?
Personagens
Os protagonistas vivem dilemas reais. Qualquer pessoa que já tenha amado consegue se identificar com Tess, que enfrenta conflitos envolvendo o ex-marido e dúvidas sobre voltar à sua paixão de infância: o esporte.
Laura Dern, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por História de um Casamento, interpreta Tess e entrega uma das atuações mais sensíveis do filme.

Sua Tess nunca parece uma vítima nem uma vilã, apenas uma mulher cansada de sustentar uma relação que já não existe. A atriz alterna firmeza e fragilidade com naturalidade, especialmente na cena da festa.
Já o Alex, interpretado por Will Arnett, é um personagem cheio de camadas e dilemas pessoais. Arnett consegue nos fazer sentir cada conflito do protagonista – mesmo quando o egoísmo de Alex aparece, é fácil se identificar. Afinal, quem nunca foi guiado pelos próprios sentimentos?

O ator equilibra humor e vulnerabilidade, tornando as falhas de Alex compreensíveis e, ao mesmo tempo, provocando reflexão sobre como lidamos com relacionamentos e expectativas.
É impossível não se conectar com ele, rindo e suspirando junto, enquanto acompanhamos sua jornada de autodescoberta e amadurecimento emocional.
Bradley Cooper usa referências claras para construir a narrativa, principalmente O Lado Bom da Vida (2012). O flerte entre drama e comédia, personagens complexos e aquela sensação de se reconhecer nas atitudes absurdas tornam a obra única. Não parece uma cópia, mas uma homenagem ao filme que Cooper estrelou com Jennifer Lawrence.
Além disso, “Isso ainda está de Pé?” pode ter dificuldade em encontrar público devido ao lançamento pós-Carnaval, mas promete surpreender. Tudo indica que Bradley Cooper pode entrar na corrida pelo tão aguardado Oscar novamente.

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