Depois de teorias e especulações sobre como a Netflix encerraria a icônica saga de Hawkins e o mundo invertido, a tão aguardada conclusão de Stranger Things enfim chega ao catálogo. Com muitos fãs insatisfeitos diante das dúvidas e pontas soltas ainda pendentes, o desfecho rapidamente dividiu opiniões — ainda que parte de suas escolhas mereça um olhar mais atento do que o debate apressado nas redes costuma permitir.
Em busca de respostas
O volume 1 trouxe um intrigante mistério, com a conclusão revelando os poderes de Will. Introduzindo a aventura final de forma curiosa e promissora. O segundo volume, no entanto, chega com ainda mais personalidade, investindo em respostas e explicações para perguntas que perduram há anos. A quinta temporada de Stranger Things não esconde sua complexidade nem o uso frequente de diálogos expositivos. Devido a tantas questões a serem resolvidas, a decisão se justifica, apesar das críticas recorrentes.
A continuação também chama atenção por suas escolhas visuais criativas. Dessa vez contando com boas montagens e efeitos práticos, como a fuga de Holly e Max pelas memórias de Henry, e o laboratório derretido, com Jonathan e Nancy em um momento emotivo e comovente. Tais escolhas trazem a forte personalidade psicodélica que a diferencia do volume anterior.
A batalha final
Stranger Things é marcada por conseguir (na maior parte do tempo) administrar seu grande e diverso elenco. Especialmente se tratando das elaboradas sequências contra as criaturas do mundo invertido. O episódio 8 não é diferente. Apesar de uma batalha rápida, sem o tempo necessário para satisfazer o público por completo, a série mais uma vez entrega um plano mirabolante que consegue dar destaques e momentos marcantes a cada um. Entrelaçando a fuga das crianças desaparecidas, a batalha entre Eleven e Vecna e o combate contra o grande devorador de mentes.
Mesmo evitando sacrifícios mais ousados, os irmãos Duffer mostram que ainda sabem prender a atenção da audiência. A história segue eletrizante, com boas dinâmicas entre os personagens e sequências de ação que funcionam.
As memórias de Henry
Acompanhar a potência da performance de Jamie Campbell Bower sem dúvidas foi o ponto alto da quarta temporada. Com expectativas de que o poderoso Vecna seria tratado com a mesma atenção, aqui a surpresa foi outra. Mesmo com poderes mentais e capaz de comandar as mais perigosas criaturas, dessa vez os irmãos Duffer optaram por um vilão mais manipulador do que violento.
A trama não procura aprofundar o potencial do antagonista nem transformar seu conflito pessoal em um embate de maiores consequências. O ator se mantém cativante e extremamente expressivo, mas sem muitas oportunidades de se mostrar uma presença ameaçadora e um verdadeiro perigo para as vidas dos nossos heróis.
Porém, a narrativa merece crédito por desenvolver e explorar mais do seu passado sem cair na tentação de transformá-lo em vítima. Stranger Things se despede do público com um vilão que jamais se desculpa por tudo o que fez, o que — felizmente — o torna ainda mais marcante. Jamais uma figura injustiçada e incompreendida.
O normal ainda importa?
No meio de tantos confrontos e corridas contra o tempo para impedir o fim do mundo, é questionável se os dilemas sociais mais cotidianos ainda mantêm seu espaço e relevância. Questões como a busca por justiça pela Barb na imprensa, o impacto de grandes shoppings em pequenos comércios ou os ambientes machistas enfrentados por mulheres em início de carreira foram grandes conflitos abordados em temporadas passadas. Personagens como Nancy, Murray e Joyce lidaram com dilemas morais e sociais que ajudavam a aprofundar e enriquecer o universo da série.
Com o vício recorrente de Hollywood em aumentar riscos e ameaças para se manter à altura de continuações bem-sucedidas, os conflitos menores parecem perder peso diante da grandiosidade da narrativa. No final, nada mais importa se o mundo estiver acabando. Mesmo conseguindo lidar com as grandes escalas de forma interessante e atraente para o público, ainda assim flerta com a ideia de que quantidade e grandiosidade equivalem a um roteiro bem escrito.
O fim de uma era
Apesar de deslizes, um importante ciclo se encerra. Não apenas para o público que acompanha a jornada desde o começo, mas para os personagens, que encerram a série do mesmo jeito que começaram: Jogando Dungeons & Dragons. Dessa vez simbolizando a despedida da infância e adolescência, com vislumbres dos possíveis futuros e caminhos trilhados por cada um.
Ao priorizar seus laços e relações ao invés do confronto, a série conclui sua história de maneira simples e coerente. É um encerramento que olha para trás com carinho. Ao mesmo tempo, abre espaço para que novas gerações encontrem o mesmo senso de pertencimento que marcou o início de tudo.
Stranger Things 5 Final – Veredito
Apostando na nostalgia e na amizade, Stranger Things se despede valorizando mais o cuidado com seus personagens e o encerramento da juventude do que o espetáculo visual ou longas sequências de lutas sangrentas. Com altos e baixos, furos narrativos e ótimas atuações, a temporada final não alcança as expectativas de parte do público. Porém, entrega uma conclusão emocional que honra a trajetória daqueles que acompanhamos em Hawkins por tanto tempo.
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