Quando as primeiras notas de piano começarem a ecoar no Autódromo de Interlagos em março de 2026, não será apenas mais um DJ set internacional. Para Kyrre Gørvell-Dahll, mundialmente conhecido como Kygo, subir ao palco do Lollapalooza Brasil é, de certa forma, um retorno às origens.
O superastro norueguês, creditado por popularizar globalmente o gênero Tropical House, é uma das atrações mais aguardadas do festival. Mas o que muitos fãs que dançam ao som de “Firestone” não sabem é que a alma ensolarada de suas músicas pode ter uma inspiração muito mais verde e amarela do que os fiordes da Noruega sugerem.
Neste especial do Nation POP, revelamos a história de como um estudante de economia se tornou um titã do streaming e explicamos por que o show dele no Lollapalooza Brasil 2026 promete ser o sunset perfeito.
O Garoto Prodígio de Bergen (com escala em São José dos Campos)
A biografia oficial diz que Kygo nasceu em Singapura e foi criado na Noruega. Ele começou a tocar piano aos 6 anos, desenvolvendo uma base clássica que hoje o diferencia da maioria dos produtores de música eletrônica que apenas “apertam o play”.
Porém, o capítulo que faz os olhos dos fãs brasileiros brilharem aconteceu muito antes da fama. Durante sua juventude, devido ao trabalho do pai, Kygo morou em vários países. Um deles foi o Brasil.
Mais especificamente, o DJ viveu por cerca de 9 meses em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Em entrevistas, ele já revelou que essa época foi marcante e que guarda memórias afetuosas do clima e das pessoas. Não é exagero teorizar que a exposição precoce ao calor e à vibração brasileira ajudou a moldar a sonoridade que o tornaria famoso: uma eletrônica que não soa como máquinas frias, mas como um pôr do sol na praia.
A Revolução do Tropical House
Por volta de 2013, a música eletrônica (EDM) era dominada pelo “Big Room House” — sons agressivos, batidas rápidas e drops barulhentos feitos para explodir arenas. Kygo foi na contramão.
Inspirado pelo saudoso Avicii, ele desacelerou o ritmo (para cerca de 100-110 BPM), substituiu os sintetizadores estridentes por flautas de pan, marimbas e, claro, seu piano inconfundível. O resultado foi o Tropical House.
O Marco Zero: “Firestone”
Lançada em 2014, “Firestone” (com Conrad Sewell) não foi apenas um hit; foi uma mudança de paradigma. A música provou que a eletrônica poderia ser emotiva e melódica.
Desde então, Kygo se tornou o “Rei de Midas” das colaborações, trabalhando com Selena Gomez (“It Ain’t Me”), Imagine Dragons (“Born to Be Yours”) e até “ressuscitando” lendas como Whitney Houston (“Higher Love”) e Tina Turner (“What’s Love Got to Do with It”) através de remixes magistrais.
Kygo e o Brasil: Um Relacionamento Sério
A relação de Kygo com o Brasil vai muito além de sua moradia na infância. Profissionalmente, ele sempre tratou o país com prioridade.
O Show de 2018: A Prova de Fogo
Sua apresentação no Lollapalooza Brasil 2018 entrou para a história do festival. Escalado no mesmo horário da banda Imagine Dragons (um dos headliners daquele ano), Kygo tinha a missão ingrata de segurar o público no palco eletrônico.
O resultado? Uma multidão gigantesca que transbordava da arena. Kygo entregou um set eufórico, trouxe convidados ao vivo e, num gesto de respeito à cena local, tocou um remix de “Fuego”, do brasileiro Alok. Foi a consagração de que ele jogava na primeira divisão.
Em 2022, ele retornou para o GPWeek, em São Paulo, mostrando que sua base de fãs só havia crescido, lotando o local do evento com uma produção visual de ponta.
O que esperar do Lollapalooza Brasil 2026?
Para 2026, Kygo chega com o status de veterano consagrado e com um arsenal de novas músicas. Seu álbum homônimo, lançado em 2024, trouxe uma sonoridade mais madura e orgânica, que deve ditar o tom do show.
Aqui está o que o Nation POP aposta para essa apresentação:
- A “Golden Hour” Perfeita: Produtores de festivais sabem que Kygo funciona melhor no final da tarde ou início da noite. Espere um show visualmente deslumbrante, com luzes quentes e lasers sincronizados com as melodias de piano.
- Piano ao Vivo: Diferente de muitos DJs que ficam atrás da mesa o tempo todo, Kygo frequentemente vai para a frente do palco tocar um piano de cauda transparente. É o momento “Instagramável” garantido.
- Homenagens ao Brasil: Considerando seu histórico, é muito provável que ele traga alguma surpresa local. Seja um remix inédito de um clássico da MPB ou funk, ou até mesmo um convidado brasileiro no palco.
- O Setlist: Uma mistura dos hinos de estádio com as novas faixas.
- Obrigatórias: “Stole the Show”, “Remind Me to Forget”, “Whatever” (com Ava Max).
- Momento Clímax: O remix de “Higher Love”, que costuma transformar a plateia em um coral gospel gigante.
Kygo sobreviveu ao fim da “moda” do Tropical House porque ele nunca dependeu apenas do gênero. Ele é, antes de tudo, um músico.
- Melodia acima da Batida: Enquanto tendências de batidas vêm e vão, uma boa melodia de piano é eterna. As músicas de Kygo funcionam mesmo se você tirar toda a produção eletrônica e deixá-las acústicas.
- Curadoria de Vozes: Ele tem um ouvido impecável para escolher vocalistas que transmitem emoção (como Sandro Cavazza e Dean Lewis), criando músicas que conectam em um nível humano, não apenas festivo.
- Legado: Ele criou uma estética sonora que influenciou toda a música pop da última década (basta ouvir os hits de Justin Bieber ou Ed Sheeran de 2015-2016 para notar a influência do som de Kygo).
Discografia Essencial para o “Esquenta”
Vai para o Lolla 2026? Aqui estão os álbuns que você precisa ouvir para não ficar perdido no set:
- Cloud Nine (2016): O clássico. Onde tudo começou.
- Destaque: “Raging”.
- Golden Hour (2020): A perfeição pop.
- Destaque: “Lose Somebody”.
- Thrill of the Chase (2022): Mais experimental e sombrio.
- Destaque: “Freeze” (uma obra-prima de 8 minutos).
- KYGO (2024): O retorno às raízes com toque moderno.
- Destaque: “For Life”.
Prepare-se para flutuar
Em um festival intenso como o Lollapalooza, com rock pesado e rap frenético, o show do Kygo serve como um oásis. É o momento de abraçar os amigos, subir nos ombros de alguém e cantar refrões que celebram a vida.
Para o garoto que um dia morou em São José dos Campos e sonhou com melodias, voltar ao Brasil como um dos maiores DJs do mundo é o fechamento de um ciclo. E para nós, público, é a garantia de que a sexta-feira (ou sábado) do festival terminará com a alma lavada e o coração leve.
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