Show ‘Maga Convida’ transformou o Candyall em um verdadeiro templo da música preta baiana.
Tem noite que é show, mas tem noite que vira marco cultural.
O que aconteceu em 31 de janeiro, no Candyall Guetho Square, em Salvador, pertence à segunda categoria.
Margareth Menezes não apenas subiu ao palco, ela conduziu um ritual coletivo de memória de identidade e futuro. O Maga Convida celebrou os 25 anos do álbum Maga Afropopbrasileiro, da canção “Dandalunda” e, principalmente, de um movimento que ajudou a redefinir a música da Bahia: o Afropopbrasileiro.

E se era para celebrar a força coletiva, ninguém veio sozinho. Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Nabiyah Be e sete blocos afros históricos dividiram o palco em uma noite que deixou claro: isso não é nostalgia, mas sim continuidade cultural viva.
Um espetáculo que começou como música e virou rito
A abertura já dava o tom do que viria: grandioso, simbólico e profundamente baiano.
Com o Balé Folclórico da Bahia em cena, Margareth entoou “Afrocibernética”, “Dandalunda”, “Toté” e “Selei”, em uma sequência que parecia costurar ancestralidade e futurismo no mesmo compasso.
O show crescia como um ritual. Não havia pressa em realizar o espetáculo, ainda assim a conexão com o público só crescia.
O repertório atravessou afropop, samba-reggae, releituras da MPB e hinos do Carnaval de Salvador e do Axé, como “Elegibô”, “Raça Negra” e “Faraó”. Cada música funcionava como uma camada de memória coletiva sendo ativada, enquanto o público respondia em coro cantado, dança harmoniosa e celebração que não merecia um fim.

Encontros que contam a história da música brasileira
Quando Gilberto Gil sobe ao palco, o tempo desacelera.
Com “Palco”, “Vamos Fugir”, “No Woman No Cry” e “Emoriô”, o encontro entre Gil e Margareth foi mais que um dueto: foi o diálogo entre gerações que ajudaram a moldar a identidade da música brasileira moderna.

Carlinhos Brown trouxe o pulso. Parceiro essencial na trajetória de Maga — e um dos nomes por trás da direção musical do álbum homenageado — ele levantou o Guetho com “Beija Flor”, “Selva Branca” e, claro, “Dandalunda”.
O momento tradicional volta no Guetho, com o público formando a grande ciranda ao redor do palco, com corpo e presença.
Afropopbrasileiro é coletivo e o palco provou isso
Nabiyah Be, artista de estética global e herdeira da linhagem musical de Jimmy Cliff, trouxe frescor e delicadeza. Ao lado de Margareth, cantou “Me Abraça e Me Beija”, de Lazzo Matumbi, conectando gerações e linguagens.

Mas o ápice simbólico da noite veio quando o palco deixou de ser palco e virou cortejo. Olodum, Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Banda Didá, Muzenza e Malê Debalê tomaram a cena com canto, percussão e presença histórica, ampliando a afirmação de origem dos artistas baianos.
No final, o arrastão para fora do palco, junto ao público, somado às percussionistas do Filhas do Som, selou a mensagem da noite: o Afropopbrasileiro não é um gênero, é um movimento pulsante.
Mais que um show: um manifesto em forma de espetáculo
O Maga Convida mostrou algo essencial: enquanto o mundo pop corre atrás de tendências, a Bahia segue produzindo movimentos culturais com base histórica e impacto real.
Margareth Menezes não celebrou o passado. Ela mostrou que o Afropopbrasileiro continua sendo presente e futuro, um coletivo impossível de ser ignorado.
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