Redação ‘Dificílima’, Nota Zero: Candidato da Fuvest processa reitor da USP após reprovação inusitada

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Escrito por

Gabriel Nascimento (@gabenaste)
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Escrever bem nem sempre significa usar as palavras mais complexas do dicionário, e um candidato do vestibular da Fuvest 2026 aprendeu isso da maneira mais amarga possível. Após receber um zero absoluto em sua redação por “ininteligibilidade”, o estudante decidiu levar a briga para a justiça, processando diretamente o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior. O motivo? O uso excessivo de termos arcaicos e rebuscados que tornaram o texto impenetrável para os corretores.

O conflito: ‘Erudição’ ou falta de clareza?

De acordo com informações publicadas pelo portal G1, o candidato — que pleiteava uma vaga no curso de Direito — construiu sua dissertação utilizando um vocabulário extremamente incomum, com termos que remetem ao português do século XIX. A banca examinadora da Fuvest justificou a nota zero alegando que o texto falhou no critério básico de comunicação e clareza, tornando-se impossível de ser compreendido e avaliado.

Na ação judicial, o estudante argumenta que foi punido por sua “erudição” e que o manual do candidato não proíbe o uso de palavras cultas. Ele sustenta que a avaliação foi subjetiva e que o zero fere seu direito de acesso ao ensino superior, exigindo a reavaliação do texto por uma banca externa ou a anulação da correção original.

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O que dizem os especialistas e o manual da Fuvest

Para o corpo docente da USP e especialistas em redação, o caso levanta uma discussão fundamental sobre a função da escrita. O manual da Fuvest é claro: a redação deve demonstrar capacidade de articulação de ideias de forma coesa e coerente.

  • Vício de Linguagem: Professores de cursinho apontam que o uso de “palavras difíceis” sem contexto ou apenas para impressionar é um vício conhecido como preciosismo, que prejudica a fluidez e a transmissão da mensagem.
  • Defesa da USP: A reitoria e a Fuvest mantêm a posição de que a nota zero é aplicada quando o examinador não consegue identificar o encadeamento lógico da tese proposta devido à barreira linguística imposta pelo próprio autor.

Repercussão nas redes sociais em 2026

O caso viralizou com o apelido de “O Candidato de Machado de Assis”. Enquanto alguns usuários defendem que o vestibulando deveria ser premiado pelo vocabulário rico, a maioria dos memes ironiza a situação, reforçando que, no Enem e na Fuvest, a clareza é rainha. A justiça ainda não emitiu uma decisão liminar sobre o pedido de reavaliação, mas o processo já acende um alerta para todos os estudantes: escrever difícil não é sinônimo de escrever bem.

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