A Sony Music declarou guerra total contra as imitações geradas por inteligência artificial. Durante a apresentação do Global Music Report 2026 da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) nesta semana, a empresa revelou que já solicitou a remoção de mais de 135 mil deepfakes de músicas de seus artistas em diversas plataformas de streaming. A medida visa proteger a identidade e os direitos comerciais de ícones globais que estão tendo suas vozes “clonadas” sem autorização.
Dennis Kooker, Presidente de Negócios Digitais Globais da Sony Music, afirmou que essas faixas causam “danos comerciais diretos” e podem arruinar campanhas de lançamento legítimas. Entre os artistas mais afetados pela onda de fraudes digitais estão nomes como Beyoncé, Harry Styles, Miley Cyrus, Bad Bunny e a lendária banda Queen.
O impacto dos clones de voz e a reputação dos artistas
O problema dos deepfakes na música tornou-se um evento movido pela demanda. Segundo Kooker, os fraudadores aproveitam os momentos em que um artista está em alta ou promovendo um novo trabalho para inundar o mercado com versões falsas. “Eles se beneficiam da demanda que o artista criou, o que acaba distraindo o público do que o artista realmente está tentando realizar”, explicou o executivo, conforme reportado originalmente pela BBC e pela Music Business Worldwide.
Apenas desde março de 2025, a Sony Music sinalizou cerca de 60 mil músicas que utilizavam vozes de seu elenco de forma fraudulenta. O temor da gravadora é que o volume de conteúdos falsos acabe por “manchar a reputação” dos artistas, já que muitos fãs — especialmente os mais jovens — podem ter dificuldade em distinguir uma criação humana genuína de um algoritmo de IA bem treinado.
Fraude no streaming e a ‘supernotificação’ de IA
A indústria musical estima que até 10% de todo o conteúdo disponível em serviços como Spotify e Apple Music pode ser fraudulento ou manipulado. A IA “turbinou” essa prática, permitindo que golpistas criem centenas de faixas por dia para desviar royalties que deveriam ir para músicos reais.
Para combater esse cenário, a Sony tem investido em tecnologia própria. Pesquisadores da empresa no Japão desenvolveram ferramentas capazes de identificar trechos de músicas protegidas escondidos dentro de faixas geradas por IA. Essa inovação é vista como um passo essencial para que compositores possam reivindicar compensações financeiras quando seu trabalho é usado como “matéria-prima” para treinar robôs sem permissão.
Vitória política e o futuro do licenciamento
A revelação desses números astronômicos ocorre em um momento de vitória regulatória. Recentemente, o governo do Reino Unido recuou em uma proposta que permitiria que empresas de IA treinassem seus modelos em músicas com direitos autorais sem pagar licenciamento. A Sony Music, que manteve uma postura firme contra as plataformas de IA generativa em 2024, continua a ser uma das vozes mais críticas no setor.
Embora a Sony não seja contra a inovação, a empresa defende que o uso da voz e da imagem de um artista deve ser uma decisão pessoal e comercialmente protegida. Com o mercado de streaming atingindo marcas bilionárias em 2026, a integridade do que o fã ouve tornou-se o ativo mais valioso das gravadoras. A batalha contra os 135 mil deepfakes é apenas o começo de uma era onde a transparência e a autenticidade serão as novas regras do jogo.
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