O mercado fonográfico da Suécia, terra natal do Spotify, atingiu um estágio de maturidade que serve de alerta para a indústria global. Segundo dados da IFPI Sverige, repercutidos pela Music Business Worldwide, as receitas provenientes de assinaturas de streaming de áudio cresceram apenas 2% em 2025 em comparação ao ano anterior. O valor atingiu 1,95 bilhão de coroas suecas (cerca de US$ 199 milhões), representando 85% de toda a receita musical do país.
Embora o setor continue dominado pelo digital, o ritmo de crescimento na Suécia é consideravelmente inferior à média global, sugerindo que o mercado local chegou ao seu limite de expansão de novos usuários.
O paradoxo do Spotify em seu próprio quintal
Para especialistas da indústria, a estagnação sueca é um “olhar para o futuro” de outros mercados desenvolvidos. Com uma penetração de assinaturas já altíssima, o desafio deixa de ser a conquista de novos clientes e passa a ser a retenção e o aumento do valor gerado por cada usuário. De acordo com a análise da MBW, esses números baixos podem pressionar o Spotify a implementar novos reajustes de preços para manter o crescimento das receitas.
Ludvig Werner, CEO da IFPI Suécia, descreveu o ano de 2025 como “estável e sem grandes mudanças”. Por outro lado, o streaming financiado por publicidade (versões gratuitas) apresentou um salto de 9%, indicando que uma parcela do público pode estar migrando para modelos menos custosos ou que o inventário de anúncios está sendo melhor monetizado.
Destaques do mercado sueco em 2025:
- Streaming de Vídeo: Foi a categoria digital com maior crescimento, subindo 10% em relação a 2024.
- Formatos Físicos: Surpreendentemente, os CDs tiveram uma leve recuperação de 4%, enquanto o vinil cresceu apenas 1%.
- Hits Locais: O single mais ouvido do ano na Suécia foi “Bara bada bastu”, do grupo KAJ, marcando a força do conteúdo em língua local no topo das paradas.
Cenário Global: O contraste com o resto do mundo
Enquanto a Suécia desacelera, o cenário global de música gravada continua em ascensão. O relatório global da IFPI para 2026 aponta que as receitas mundiais subiram 6,4% em 2025, totalizando US$ 31,7 bilhões. Mercados emergentes, como o Brasil e a China, continuam sendo os grandes motores desse crescimento, com aumentos de dois dígitos.
A discrepância entre o crescimento sueco (2%) e o global (8,8% em assinaturas pagas) reforça a tese de que o “berço do streaming” já não tem para onde crescer organicamente. A partir de agora, o lucro deverá vir de novas tecnologias, como inteligência artificial e experiências imersivas, ou do aumento direto nas mensalidades dos planos premium.
O mercado agora observa atentamente os próximos movimentos de Daniel Ek e sua equipe. Se a Suécia é o espelho do que acontecerá nos EUA e no Reino Unido nos próximos anos, as gravadoras precisarão de novas estratégias para manter as cifras bilionárias do setor.
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